A IMPLEMENTAÇÃO DA LEI Nº 13.431/2017 COMO POLÍTICA PÚBLICA: CAPACIDADE INSTITUCIONAL E PROTEÇÃO INTEGRAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Autores

Palavras-chave:

Lei nº 13.431/2017, Sistema de Garantia de Direitos, Políticas públicas, Capacidade institucional, Proteção integral

Resumo

O estudo investiga os desafios e a efetividade da implementação da Lei nº 13.431/2017, legislação que instituiu o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente Vítima ou Testemunha de Violência. O trabalho problematiza em que medida a capacidade institucional do Estado condiciona a execução dessa política pública, analisando a escuta protegida como mecanismo para evitar a revitimização e garantir a proteção integral. A pesquisa sustenta que a mera aprovação do marco normativo não assegura sua eficácia, a qual depende da reorganização das práticas estatais, do fortalecimento da atuação em rede e da clara distinção operacional entre escuta especializada e depoimento especial. Para responder à questão central, foi adotada uma abordagem qualitativa, documental e interdisciplinar sob a perspectiva sociojurídica, fundamentada na análise da Constituição Federal de 1988, do Estatuto da Criança e do Adolescente, da Lei nº 13.431/2017, do Decreto nº 9.603/2018 e de protocolos institucionais. A etapa empírica consistiu em uma análise comparativa dos microdados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do ano de 2024, disponibilizados pelo Observatório da Criança e do Adolescente da Fundação Abrinq para a população de até 19 anos. Os municípios de Vitória da Conquista e Salvador foram selecionados como recortes analíticos por apresentarem arranjos institucionais distintos. A interpretação dos dados pautou-se nos aportes da história e sociologia do direito, acompanhados da perspectiva foucaultiana para compreender os registros administrativos como práticas que tornam visíveis as intervenções do Estado.

Os resultados demonstram que a efetividade da legislação está diretamente ligada à capacidade do Estado em coordenar as áreas de assistência social, saúde, educação, segurança pública e sistema de justiça. A disparidade nos padrões de notificação entre Vitória da Conquista e Salvador não reflete necessariamente a oscilação na incidência real da violência, mas sim variações na capacidade institucional de identificar, registrar e encaminhar as ocorrências, destacando-se o Protocolo Unificado de Atendimento Integrado de Vitória da Conquista como um modelo articulado. Observou-se, ainda, uma constante tensão entre a função protetiva da escuta e as demandas probatórias do sistema judiciário, correndo-se o risco de subordinar a proteção integral ao rigor processual. Sob a lente teórica adotada, os dados do SINAN revelam-se mais do que meras estatísticas, atuando como indicadores da presença e da qualidade da atuação estatal. Em conclusão, a pesquisa confirma que a consolidação da Lei nº 13.431/2017 exige a superação da dependência do texto formal da lei em favor da construção de capacidades institucionais concretas. A garantia de direitos e a prevenção de violações contra crianças e adolescentes dependem da manutenção de fluxos intersetoriais integrados, da qualificação dos registros administrativos como ferramentas de gestão e da contínua articulação entre os órgãos de proteção, garantindo que os procedimentos de escuta mantenham seu propósito fundamental de acolhimento e proteção social.

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Biografia do Autor

Bruna Prado Rocha, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Advogada. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário FG (UniFG) (2023). Pesquisadora no grupo de pesquisa Phronesis: Jurisdição e Humanidades, vinculado ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Direito da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) (2021-). Foi pesquisadora do grupo CAJU Centro de Acesso à Justiça, vinculado ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Direito do Centro Universitário FG (UniFG), como bolsista de Iniciação Científica pelo Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) (20192020). Pós-graduanda em Relações Sociais e Novos Direitos pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) (2025-). Mestranda em Direito pelo Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) Mestrado Acadêmico em Associação, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), vinculada à linha de pesquisa Territorialidades: Proteção à Cidadania e Sistemas de Justiça ( 2025-)

Luciana Rocha Prado, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduada em Direito (UESB), especialista em Direito Empresarial (Facuminas) e Mestra em Memória: Linguagem e Sociedade (UESB). É professora universitária, desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão nas áreas de Direito Empresarial, Direito Civil, Métodos Adequados de Solução de Conflitos e Direitos da Criança e do Adolescente. Coordena o Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente (NDCA) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), programa de extensão voltado à promoção, proteção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes, integrando ações interdisciplinares de atendimento, formação, pesquisa e articulação com o Sistema de Garantia de Direitos. Integra o Grupo de Pesquisa Núcleo de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (NDCA), cadastrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq, desenvolvendo estudos relacionados à proteção integral, direitos humanos, políticas públicas e enfrentamento das violências contra crianças e adolescentes. Suas pesquisas concentram-se na proteção integral de crianças e adolescentes, direitos humanos, políticas públicas, enfrentamento das violências, práticas restaurativas, extensão universitária e interdisciplinaridade. Atua na produção de conhecimento comprometida com a integração entre ensino, pesquisa e extensão, buscando contribuir para o fortalecimento das políticas públicas e para a efetivação dos direitos fundamentais de grupos em situação de vulnerabilidade.

Lucimeire de Jesus Passos, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Possui graduação em Serviço Social pela Universidade Católica do Salvador (1993). Atualmente é assistente social da Prefeitura Municipal de Itapetinga e atua na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia no campus de Itapetinga com serviço social do RH. Tem experiência na área de Ciências Ambientais, com ênfase em Educação Ambiental e Saneamento Ambiental. Atua com formação de grupos comunitários e produtivos com economia solidaria. Atuação na área de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e também na área de adolescente em conflito com a Lei. Elaboração de Projeto Social de Habitação

Referências

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Publicado

2026-11-04